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VOLUNTARIADO EDUCATIVO

COLEÇÃO JOVEM VOLUNTÁRIO, ESCOLA SOLIDÁRIA

Adair Aparecida Sberga

Jovem Voluntário, Escola Solidária

Caros educadores e educadoras

     Existem hoje milhares de voluntários anônimos que doam parte de seu tempo às mais variadas causas e iniciativas. São jovens, universitários, professores, empresários e pessoas de terceira idade que de alguma forma estão engajados num processo de transformação social para construir um país melhor.
     O Instituto Faça Parte – Brasil Voluntario valoriza todas essas ações. Neste livro, entretanto, queremos destacar o voluntariado jovem, não só como uma forma de melhorar realidades, mas especialmente como um processo de formação educativa. O jovem pró-ativo envolvido em ações voluntárias contribui com a sua comunidade, mas, mais do que isso torna-se um cidadão mais consciente e competente em relação à sua vida profissional e social.
    Gostaria de agradecer à professora Adair Ap. Sberga, que há muito tempo acredita nesta causa, e agora, junto com o Instituto Faça Parte, está nos ajudando a disseminar a importância do voluntariado educativo.

Milú Villela
Presidente do Instituto Faça Parte


“A educação tem de servir a um projeto da sociedade como um todo.”
Bernardo Toro

Sobre o Autor
     Adair A. Sberga, natural de Araras (SP), é religiosa da Congregação das Irmãs Salesianas. Formada em Filosofia, História e mestre em Educação pela Universidade Pontifica Salesiana, de Roma. Desde a juventude dedicou-se ao trabalho com crianças, adolescentes e jovens de bairros populares, favelas, conjuntos de mutirões de construção de casas populares e em organizações com populações de cortiços.Atuou como professora de ensino fundamental e médio, lecionando Filosofia, História e Ensino Religioso. Participou do Congresso Internacional do Voluntariado (Vides) na Itália, em 2000. Atualmente é vice-diretora e orientadora da Articulação da Juventude Jovem – construção da identidade e educação sociopolítica (São Paulo: Salesiana, 2001).

APRESENTAÇÃO
     Determinação, persistência, paixão e entusiasmo são marcas da juventude. Se incentivarmos os jovens a colocar sua força a serviço de causas Sociais, eles poderão não só aprender a ser mais competentes e seguros, como também ajudar a construir um mundo mais solidário, humano e fraterno. Ao receber o estímulo adequado, podem usar suas competências colaborando para melhorar a sociedade.
     A professora Adair tem contribuído muito, ajudando-nos a refletir sobre o papel da escola e do professor em relação ao voluntariado e sobre a importância da formação educativa do jovem através de projetos sociais. Essas questões são chaves se temos o desejo de viver num Brasil melhor.
Fundação EDUCAR DPaschoal

INTRODUÇÃO
    Considerando a realidade sociocultural e os muitos desafios e situações conflitivas em que o jovem vive, o voluntariado se apresenta como um espaço alternativo não só de inserção social e compromisso de cidadania responsável, mas também como uma proposta que ajuda o jovem a conhecer a si mesmo e a descobrir suas potencialidades.
Dessa forma, o voluntariado é uma alternativa para todo jovem que sonha comum mundo diferente, mais justo e igualitário, que se preocupa com a gravidade dos problemas sociais e que gosta de mobilizar forças amigas para idealizar projetos em vista do bem social.
Quem nunca realizou um trabalho solidário talvez não saiba a felicidade que esse gesto provoca nos voluntários e nas pessoas beneficiadas, e a riqueza humanitária que ele promove no ambiente social.
     No Brasil, desde 1997 o voluntariado vem se articulando em nível nacional e conquistando um grande público: foram implantados muitos Centros de Voluntariado, em vários estados do país; foi instituída a Lei 9.608, que rege o serviço voluntário; foi estabelecido o 5 de dezembro como o dia nacional do voluntário; em 2001, o I Congresso Brasileiro do Voluntariado abriu um debate teórico e metodológico sobre a necessidade de se consolidar o voluntariado em nossa realidade; e surgiram vários publicações relacionadas a esse assunto, dirigidas a diferentes segmentos da sociedades.
     Essas iniciativas e outras propostas de ação solidária promovidas pelo voluntariado tem contribuído para o aprimoramento das reflexões sobre o papel do cidadão no atual contexto social e facilitando a conscientização sobre o novo conceito de cidadania, caracterizando-a como cidadania ativa. Nesse sentido, o voluntariado é concebido como um ato cívico e uma forma de preservar a democracia. Sua implantação uma sociedade tem a função não só de colaborar nos serviços humanitários e educacionais, mas de ajudar na transformação das políticas públicas sociais.
     Com este livro pretendemos incrementar o tema da pedagogia social e reforçar essa proposta que muitas escolas já realizaram, contando com a colaboração de educadores que se preocupam com a formação do aluno e com a melhoria da qualidade de vida da população. O desafio consiste em formar não apenas pessoas críticas, mas cidadões conscientes e dispostos a arregaçar as próprias mangas, pois sabem que o gesto voluntário e as idéias solidárias podem ajudar a melhorar significativamente a vida de milhares
de seres humanos.
     Portanto, contamos com os educadores que vestem a camisa do voluntariado e participam da experiência de incentivar e formar outros voluntários adolescentes e jovens. Com certeza estarão fazendo a sua parte e colaborando para que se difunda a Cultura do Voluntariado em todas as regiões do nosso país.

VOLUNTARIADO JOVEM
     É importante afirmar que o voluntariado jovem “não é um apêndice do voluntariado adulto, mas um modo original de empenho da juventude”.
     Apesar de muitas pessoas considerarem o voluntariado como uma atividade mais voltada para os adultos – pois esses são mais bem preparados para oferecer um serviço que requer competências profissionais, mais resistentes ao sofrimento e mais capazes de fazer escolhas maduras - , é possível comprovar quanto os jovens são receptivos e entusiasmados para provar quanto os jovens são receptivos e entusiasmados para realizar ações de compromisso solidário.      Mas para que o voluntariado jovem possa dar frutos duradouros, é preciso que eles sejam preparados para essa função social. Pensando nessa questão, G. Milanesi e G. Nicoló, dois sociólogos italianos, recomendaram que o voluntariado realizado por jovens tivessem um caráter diferente daquele realizado por adultos. Criaram, assim, a proposta do voluntariado educativo, ou seja, uma ação solidária preocupada com a formação do jovem voluntário.
     Segundo essas características, o voluntariado jovem é uma experiência com fisionomia própria, com conteúdos e métodos alternativos elaborados segundos as necessidades de formação do jovem.
     É importante recordar que o jovem vive um momento precioso de formação e estudo. É o tempo de construir a própria identidade, de crescer humana e espiritualmente, de encontrar o sentido da própria vida e o valor das próprias atitudes e comportamentos. Portanto, o voluntariado não é uma forma de preencher o tempo livre, mas uma proposta formativa que consegue perceber e privilegiar os recursos e as energias dos jovens – que precisam ser orientadas e, uma vez despertadas, se tornam um rio de possibilidades, um modelo de atuação que contagia, envolve e cativa à energia de outros jovens.
     O educador pode auxiliá-los a compreender que ser voluntários não é bicho-de-sete-cabeças, e que eles podem fazer isso com facilidade. Deve-se ter boa vontade, procurar uma organização ou formar um grupo de amigos, e começar a discutir sobre as necessidades prementes da cidade, do bairro, da rua ou da escola. Observando e analisando a realidade em que vivem, usando a criatividade e o bom senso, os jovens vão perceber os desafios mais urgentes, vão conversar, procurar ajuda e descobrir como cada um pode dar a sua parcela de contribuição. Não importa se a ação vai ser pequena: aos poucos as sementes lançadas vão contribuir para fazer frutificar em nosso país a cultura do voluntariado .

Centralidade no educativo
     Como já dissemos, o voluntariado jovem é centralizado no aspecto educativo, seja como conteúdo, seja como método. Para isso, é necessário se perguntar: o que significa educar, e como educar hoje, no contexto da sociedade pós-moderna?
     Educação é um termo ‘antigo’ e sempre novo, que provém da palavra latina ‘educere’(tirar para fora, desenvolver). Hoje se redescobriu a importância dos recursos individuais e de cada cultura, e que a promoção desses recursos por meio da educação – ou seja, o desenvolvimento do ser humano – é que gera o progresso da humanidade. A educação, portanto, busca condições e meios mais idôneos para desenvolver e orientar as potencialidades individuais.
     É dentro dessa dinâmica que se entende que o voluntariado educativo é uma proposta de formação que propicia o amadurecimento dos jovens através de experiências de solidariedade e compromisso. Em primeiro lugar, no conforto com a comunidade e com outros companheiros, que vivem experiências significativas de engajamento solidário, eles são motivados a buscar dentro de si mesmo suas melhores possibilidades.
     Em segundo lugar, no voluntariado jovem existe uma interação entre em educação e prevenção. Procura-se prevenir os educandos do perigo, do sofrimento, da malandragem. Não basta evitar que o mal (moral, físico, cultural, psíquico) lhes ocorra. É preciso também pô-los diante do perigo, de modo racional, porque assim eles podem crescer. Então, prevenir não é somente evitar o mal, mas antecipar o bem, a maturidade, colocando in moto as potencialidades na realização da proposta e acompanhando de modo inteligente a realidade pessoal e a atuação social dos educandos. Quando se descobre a relaçao entre a educação e a prevenção, o voluntariado é enriquecido e os jovens são estimulados não só a ser cidadões, mas a qualificar as propostas de valores humanos e éticos.
     Em terceiro lugar, o voluntariado educativo se preocupa em elaborar conteúdos alternativos- com a responsabilidade, a solidariedade, a participação com metodologias avançadas, isto é, com experiências que se transformam em exercício de democracia, de cidadania ativa.
Legitimado pela educação, o voluntariado jovem estimula o crescimento pessoal, a capacidade de autocrítica e o dinamismo para interferir na qualidade da vida social.

Construção da identidade e educação sociopolítica
     O jovem que está passando por uma fase particular de desenvolvimento biopsicossocial necessita de uma proposta que propicie tanto o amadurecimento da sua personalidade quanto a sua inserção social.
     O voluntariado, realizado por meio de um engajamento numa associação e na prestação de um serviço gratuito e solidário, pode suprir essa necessidade, constituindo um agente eficaz na construção na identidade do jovem. E uma vez que este adquire certa participação social e descobre o valor e a utilidade das suas ações em prol da felicidade de outras pessoas, também constrói novas motivações e sentidos para a própria existência.
     São muitos os depoimentos de voluntários que falam da própria experiência, por meio da qual aprenderam tantas coisas, cresceram humana e socialmente e amadureceram mais do que em outros períodos longos da vida. Embora tenham iniciado a ação solidária pensando somente em dar e servir, logo se deram conta de que enriqueciam, recebendo mais do que davam. Na verdade, para muitos essa experiência se torna uma escola de vida.
     Por isso, o voluntariado educativo é uma ação social altamente recomendável a todos, e de grande validade na fase juvenil. Com sua proposta , ele:
     • propicia a descoberta de si mesmo, de suas riquezas humanas e de sua potencialidades;
     • desperta para o espírito de lideranças e trabalho em grupo;
     • contribui para o aumento da autonomia, orientada para a responsabilidade pessoal e social;
     • favorece o amadurecimento afetivo por meio do exercício do aperfeiçoamento na capacidade de amar e na disponibilidade de doar-se;
     • orienta para o futuro, propiciando o desenvolvimento da capacidade positiva de projeção, que funciona como eixo estruturado da personalidade e como motivação para a elaboração de projetos, a reconsideração das próprias escolhas, o empenho no bem do próximo, a reflexão sobre o sentido da vida, etc.
     O voluntariado efetuado gratuita e solidariamente leva, naturalmente, o jovem a dar um novo e profundo significado á própria vida e a dos demais, acelerando o processo da construção da sua identidade e fazendo-o compreender que, ajudando aos outros, ajudam a si mesmo.
Outro aspecto é o voluntariado como escola de educação sociopolítica. Nessa área pode-se destacar:
     • a educação para a responsabilidade como exigência moral, destinada a despertar a consciência do educando de modo a sensibilizá-lo em relaçao ao próprio destino do outro a ele confirmado;
     • a educação para a cultura da solidariedade como compromisso ético para com a equidade social;
     • a educação para as cidadanias ativas, que constitui a cultura da convivência social, a gratuidade nas diversas formas de participação, e motiva a qualidade social;
     • a educação para o empenho político, que significa colocar-se a serviço do outro, solidarizar-se com ele e comprometer-se na defesa e promoção dos direitos humanos.
     Acredita-se, assim, que a partir da interação entre a construção da identidade e a educação sociopolítica, o jovem incorpore em si a identidade do voluntário, empenhando-se por uma nova qualidade de vida tanto pessoal quanto social.

Característica da identidade do jovem voluntário
     O jovem voluntário é impulsionado por um grande amor as causas humanitárias, e por isso luta contra toda forma de pobreza e exclusão, defende a dignidade e os direitos humanos e exercita a cidadania, buscando soluções concretas para os problemas.
     Alguns elementos o caracterizam:
     • a gratuidade e a espontaneidade do empenho, realizado sem fins lucrativos ou partidários;
     • a participação no serviço oferecido à comunidade, com a intenção de criar um ambiente mais humano e feliz;
     • a continuidade do serviço, compreendendo que esse é o aspecto que distingue o voluntariado das “boas ações”;
     • o compromisso social e político, fundamentado na concepção de que a verdadeira mudança da sociedade não virá em proporção ao número de serviços prestados, mas na medida em que a população se torna participante das decisões e das ações que se referem a ela mesma.
     Portanto, o voluntariado vivido na gratuidade e na solidariedade leva os jovens a compreenderem que ‘a porta da felicidade se abre ao lado de fora; quem força para abri-la em sentido contrário acaba fechando-a cada vez mais’’, como dizia Kierkegaard. Assim, ser voluntário é assumir uma nova postura de vida, um novo modo de ser e de viver. Ser voluntário não é somente realizar um determinado serviço, mas aprender, através do exercício do amor humano, uma forma mais consciente de viver a própria vida em sociedade.

Como evitar riscos de instrumentalização
     O voluntariado não pode prejudicar o tempo de estudo ou de trabalho do jovem. Tudo tem estar bem casado, para que todas as partes saiam ganhando e as atividades sejam exercidas com muita responsabilidade e dedicação.
     É importante não confundir a ação solidária com o trabalho ‘trabalho escravo “não retribuído ou a mão-de-obra barata que serve de base de sustentação a determinada economia. Na instituição, por exemplo, o voluntário é convidado a doar algumas horas por semana, e não oito horas todos os dias, como faria um funcionário. Voluntário é aquele que exerce uma atividade por algumas horas, a título de colaboração, dando um pouco do seu entusiasmo e alegria para quem está precisando. Não é um empregado, e por isso nunca deve ser remunerado pelo que faz. Na própria instituição, ele é convidado a preencher um termo de adesão ao voluntariado, comprometendo-se a exerce o trabalho por algumas horas semanais.
     Além disso, o voluntariado não é cabide de emprego. Não se pode exercer uma atividade voluntária numa instituição com a idéia de futuramente vir a se tornar funcionário dela. Isso não se coaduna com a ação solidária, em que os interesses pessoais devem ser evitados.
     E ainda, a imprevisão deve ser superada, pois só é considerado trabalho voluntário aquele que perdura no tempo, aquele que é exercido com comprometimento e responsabilidade. Quando alguém assume a responsabilidade de ajudar no reforço escolar das crianças todas as quarta-feiras a tarde, não pode falar ao compromisso assumido, e deve estar sempre motivado, mesmo que a prática constante se mostre difícil.
     Por outro lado, o jovem é o sujeito mais exposto ao risco do estresse emotivo, e o educador deve orientá-lo para que ele escolha um trabalho de que goste, que sinta prazer em realizar. Determinadas atividades podem interferir na estrutura emocional do jovem – como, por exemplo, o trabalho com doentes terminais, doentes mentais e outras atividades especiais.

O PAPEL DO EDUCADOR
     Um dos aspectos primordiais do voluntariado jovem é a presença do educador, o qual, por características pessoais, competências profissionais e vocação, assume um papel insubstituível no acompanhamento formativo do jovem voluntário.
     O educador pode ser um adulto, uma pessoa que já passou pela etapa da juventude e viveu um processo de amadurecimento no qual definiu seu projeto de vida e atingiu uma estabilidade afetiva que o habitou a optar livremente e a assumir com responsabilidade os desafios próprios de sua escolha. Assim, ele pode orientar o caminho dos jovens a partir de princípios educacionais, e oferecer-lhes, ao mesmo tempo, a possibilidade de terem um modelo de referencia que os auxilie a discernir seus próprios projetos.
     Esse educador é capaz de analisar o contexto social, é responsável e não foge aos seus compromissos. Conhece e assume as dores e esperanças do seu povo. Não é passivo diante dos desafios e problemas da realidade; toma posição, denuncia o que precisa ser mudado e propõe soluções inovadoras para melhorar a qualidade de vida da comunidade.
     Outra característica da sua identidade é a sua capacidade de acolher os jovens e de fazer aliança com eles. Como amigo maduro, caminha com eles, escuta seus clamores, ajuda-os a formular seus problemas e objetivar seus interesses, dá-lhe esperança, valoriza seus aspectos positivos e amor, evitando todo paternalismo ou possessividade, e promove o seu crescimento e amadurecimento. Não se preocupa tanto em fazer coisas, mas em ser uma presença amiga e fraterna, e em entusiasmar outros com a sua vida de doação e alegria.
     Além disso, o adulto-educador que atua no voluntariado jovem desempenha sua missão como mediador entre a teoria e a práxis. Privilegia o caminho formativo que se desenvolve a partir da prática de solidariedade com os mais necessitados. Fazendo-se presente durante as atividades concretas do voluntariado, está atento para despertar a liderança e aprimorar a vivencia comunitária e o trabalho em grupo. Orienta com a sua competência e experiência para uma contínua revisão das atividades e para a auto-avaliaçao, que, confrontada em grupo, contribui para o crescimento de todos.
     O educador ajuda o jovem a clarear e definir seu projeto de vida e a fazer as opções que configurarão seu modo de ser e agir na sociedade. Trata-se de um acompanhamento processual e gradual, que atende a todos os aspectos da vida, levando em consideração sobretudo a dimensão afetiva do jovem, sua escolha profissional e sua opção vocacional, seu compromisso e sua participação ativa, consciente e responsável no grupo de voluntários. O educador está junto à dele, estimulando a dar sempre o melhor de si, a explorar seus recursos humanos e a buscar a sua auto-realização.
     Outra tarefa essencial do educador é o acompanhamento do processo e da realização das atividades. Promovendo a liderança, o educador descobre e estimula as aptidões dos jovens, delegando funções para propiciar o desenvolvimento de suas capacidades. Educa para a organização, respeitando o que os jovens propõem e disponibilizando-se para despertar sua criatividade. Ajuda a clarear funções, impulsiona a execução co-responsável dos planos e dos programas previstos, favorece a sistematização das experiências realizadas. Estimula tudo o que promove e fortalece a vida do grupo e a identidade do voluntariado; ao mesmo tempo, ajuda os jovens a fazerem uma leitura crítica da realidade sociopolítica. Desperta a sensibilidade e o compromisso para com os outros. Fornece elementos de formação e discernimento para que os jovens possam aperfeiçoar suas motivações. Com mentalidade aberta e pluralista, favorece o intercambio com outros grupos de voluntários ou associações.
     Para a realização desse papel-tarefa, o educador preocupa-se com a sua formação integral, gradual e permanente, e está atento para aproveitar cursos, leituras, a troca de experiências e outras atividades que possam enriquecer a sua prática. Com sua própria vida, dá testemunho de compromisso e opções concretas de transformação da sociedade em coerência com a cultura da solidariedade.

A FORÇA EDUCATIVA DO GRUPO
     O grupo tem duas funções gerais principais: a colaboração no desenvolvimento da personalidade do indivíduo e sua integração no organismo social em que vive. Mas, pelo grande valor de um grupo na vida da pessoa e para a sociedade humana, ele não pode ser considerado apenas uma realidade a ser observada e estudada pela psicologia ou pela sociologia. Sua força educativa sobre o indivíduo o torna um verdadeiro laboratório de vida, em todas as suas dimensões.
     A experiência de grupo se torna importante quando a pessoa se sente acolhida e valorizada por aquilo que é. Geralmente as pessoas se agrupam e se reúnem porque desejam sentir-se incluídas, integradas, fortalecidas e reconhecidas. Cada pessoa experimenta cotidianamente a importância de pertencer a um grupo e nele buscar respostas e segurança, de ser ajudada a conhecer-se e expressar-se melhor, a encontrar pistas e soluções diante das dificuldades da vida, a aprender a interagir com os outro.
     Além disso, constata-se que a força interna própria de um grupo advém do fato de a riqueza da vida de cada membro ser partilhada; do valor da amizade e do desejo de se encontrar, da vontade de mudar as coisas, do sentimento de acolhida, da alegria e do otimismo irradiante que contagia os jovens e os entusiasma, no desejo de serem cada vez mais autênticos. Quanto mais essa energia for considerada e orientada de forma educativa, mais se atinge o objetivo de formação integral do jovem, vem capacitando-o a assumir com responsabilidade e criatividade aquilo que lhe é confiado.
     Outro aspecto a ser considerado é que o amadurecimento global das pessoas acontece durante toda a vida e de modos diferentes. Por isso, a participação num grupo que tem princípios bem integrados colabora para esse crescimento e para o aperfeiçoamento da natureza humana.      Isso se justifica porque o grupo é o contexto no qual o indivíduo pode amadurecer a própria identidade, autonomia, liberdade e capacidade de estabelecer relações. No seu interior, o jovem pode mais um vez definir para si um novo quadro de valores e de sentido. Sozinho seria muito difícil, ou quem sabe impossível. O grupo, então, é o âmbito educativo altamente estimulante e privilegiado, porque desenvolve a meditação entre o indivíduo e a sociedade – meditação essa que dá ao jovem a possibilidade de inserir-se de modo natural e progressivo num sistema cultural mais amplo.
     No entanto, não basta a simples junção de pessoas para se dizer que um grupo é educativo. Ao contrário, ele se torna educativo quanto é orientado num processo sistemático e orgânico que saiba aprofundar e integrar as situações, as aspirações, as solicitações e favorecer o desenvolvimento global do jovem. Então, na vida de grupo, deve-se dar absoluta prioridade ao sistema de comunicação – que é o que cria o grupo, que mantém vivo e educativo, que desperta o respeito à individualidade e desenvolve a solidariedade. Nesse sentido, uma força que motiva fortemente a comunicação interna é e amizade – que ajuda a fomentar as relações interpessoais, favorecendo a participação constante.
     Do mesmo modo que a dinâmica da amizade é um elemento fundamental da comunicação interna, a coesão também é outro elemento indispensável no grupo, pois está na base do processo formativo e é fruto do sistema de comunicação. O grupo coeso tem uma certa homogeneidade quanto à idade, interesses, valores e objetivos; tem necessidade de regras de conduta que sejam simples, claras e partilhadas; tem funções distribuídas entre seus membros e que são reconhecidas entre eles e pelas pessoas e sistemas sociais externos ao grupo.
     Resumindo, pode-se dizer que o grupo é um instrumento pedagógico muito eficaz na educação e formação dos seus integrantes. Os efeitos de um grupo na vida das pessoas podem ser descritos em linhas gerais como a capacidade de atingir e modificar motivações internas, pensamentos, sentimentos, comportamentos e a percepção da realidade, além de proporcionar referenciais e modelos que orientam na dinâmica da vida.

PROMOVER A CULTURA DA SOLIDARIEDADE
     Segundo alguns dados sociológicos, solidariedade era um termo mais utilizado na cultura marxista. Em alguns países, ao longo de muitos anos, utilizou-se o termo caridade. Atualmente esse conceito adquiriu uma conotação mais politizada e deixou de ser somente um sentimento de compaixão ou de comoção diante do sofrimento. Assim, a solidariedade passou a ser uma determinação firme e perseverante no empenho pelo bem comum, pela melhora da qualidade de vida de todos, porque somos responsáveis pela vida uns dos outros.
     Nesse sentido, voluntários de diversos países perceberam a necessidade de superar a fase assistencialista, que se resumia a fazer obras de caridade e beneficência, e assumir o trabalho voluntário como co-responsabilidade e como reivindicação de um Estado social que seja eficiente nos serviços para com todos os cidadãos.
     A partir disso, foi-se fortificando a compreensão de que o principal objetivo do voluntariado é promover e consolidar a cultura da solidariedade. Não é mais suficiente, diante dos grandes desafios atuais, aliviar as injustiças através das obras de caridade. É necessário um compromisso permanente para identificar as às causas que produzem os problemas sociais e, a partir daí, lutar no plano cultural e político para removê-las. De acordo com a nova postura do voluntariado, a cultura da solidariedade constitui a síntese ética entre o amor e a justiça, juntamente com novos mecanismo de ação.
     Solidariedade Limitada: alivia a injustiça através de atos de caridade.
Cultura da solidariedade: empenha-se em identificar as raízes, as causas, às estruturas, às agencias, as pessoas que geram as injustiças e procura remove-las.

ONDE E COMO SER VOLUNTÁRIO?
     Isso o jovem vai ter que descobrir. A preferencia é que seja num lugar mais próximo da sua casa.
     São muitos os Centros de Voluntariado, ONGs, instituições, fundações, escolas, centros comunitários, hospitais, creches que estao de braços abertos para acolher voluntários. O jovem precisa ser incentivado para começar a sua pesquisa, quem sabe através dos sites:

www.facaparte.org.br
www.educardpaschoal.org.br
www.programavoluntarios.org.br
www.portaldovoluntario.org.br
www.protagonismojuvenil.org.br
www.voluntarios.org.br
www.abong.org.br

     O jovem que deseja dedicar-se ao voluntariado não adquiriu ainda uma competência profissional, mas pode contribuir muito com essa causa. O mais significativo e o melhor que ele pode doar é sua riqueza humana, seu entusiasmo pela vida, seu tempo, sua vontade de capacitar-se, sua disponibilidade e atenção para o outro. Integrando a essas qualidades humanas uma certa qualificação específica em relaçao aos serviço que deve desempenhar, o jovem se sentirá mais enriquecido e motivado a empenhar seu compromisso de solidariedade.

EXEMPLOS DE VOLUNTARIADO QUE PODEM SER REALIZADOS NAS ESCOLAS
     O voluntariado pode ser promovido dentro das escolas, dedicando-se a atender ás necessidades mais prementes da comunidade. Dentre as muitas possibilidades, alguns exemplos:
     • pesquisa no bairro ou na cidade para averiguar o número de crianças que não estao estudando e fazer campanhas de matrículas;
     • monitoria nas diversas disciplinas para ajudar os colegas;
     • reforço escolar;
     • escolinha de instrumentos musicais, canto, danças;
     • organização de grupos que lutem pela melhora na qualidade de ensino;
     • preservação do meio ambiente: reciclagem do lixo, cuidado das plantas, horta comunitária;
     • rádio escolar;
     • organização de bibliotecas e murais escolares;
     • formação de grupos para discussão da cidadania;
     • divulgação de ONG que atuam na cidade;
     • atividades em creches ou instituições que acolhem crianças carentes;
     • leitura para cegos – Doador da voz;
     • contadores de histórias;
     • visitas aos idosos, em asilos;
     • atividades circenses para diverti crianças;
     • monitoramento em museus e conservação dos bens culturais;
     • palhaços que atuem nos setores infantis dos hospitais.

     Além disso, é possível organizar, durante as férias, os Campos de formação ao voluntariado, onde grupos de voluntários se reúnem, partindo para lugares pobres que precisem de ajuda e formação. Durante dez ou quinze dias organizam-se atividades com as crianças, os jovens e a comunidade. Ao mesmo tempo, durante um período dia, esses voluntários se reúnem para estudar, capacitar-se e refletir sobre as atividades que estão desenvolvendo. O importante é que essa ação sensibilize toda a comunidade e mexa com as autoridades locais, a fim de motivá-las a promover a dignidade e o direito social dessa gente.
     Com essas atitudes, o grupo de voluntários estará contribuindo para que se consolide a cultura da solidariedade e para que a sociedade se transforme, na medida de seus sonhos!

CONCLUSÃO
     O voluntariado educativo, por meio da sua dinâmica baseada na ação e na reflexão, colabora eficazmente para a formação integral do jovem, fazendo-o compreender que, ao ajudar os outros, ajuda a si mesmo.
     Quando o jovem incorpora em si a identidade do cidadão voluntário, empenhando-se em trabalhar por uma qualidade de vida melhor tanto para si como para a sociedade e no aprimoramento de um sistema de políticas públicas sociais mais humano e justo, ele passa a entender que ‘ a vida não é qualquer coisa, mais uma oportunidade para realizar alguma coisa “; descobre o valor moral de se dedicar ao bem comum e se compromete com a construção da cidadania responsável e da cultura da solidariedade.
     O voluntariado é uma escola de vida, e traz muita retribuição para todos os envolvidos. Faz desabrochar no jovem uma vontade interior que o leva a empenhar-se de modo solidário em prol da sociedade e motiva suas ações por toda a vida. Sua função mais importante é fazer com que a experiência de servir não se restrinja a um momento particular de entusiasmo e de generosidade próprios da juventude, mas seja o fundamento de uma atitude madura e definitiva que qualifica o cidadão ativo e responsável. Além desses benefícios de crescimento pessoal, o voluntário compreende que seu gesto se reveste de dignidade e amor, somando-se a outros gestos altruísta que contribuem para a transformação social.
     Nesse processo, os educadores orientam e acompanham os jovens não apenas no que se refere ao desempenho se serviços qualificados de cidadania, mas acima de tudo ajudando-os a construir personalidades fortes, comprometidas com as causas do bem comum.
     Em suma, o voluntariado jovem não é alienante, não é assistencialista, não é esporádico, não é uma forma de preencher o tempo livre, mas encontra legitimidade na educação, no compromisso político, na continuidade da ação por meio do engajamento numa organização ou grupo de voluntariado, na capacidade de autocrítica e numa maneira mais consciente de viver a própria vida. Por essas características, é um instrumento que facilita o crescimento da dimensão mais nobre que há no ser humano – isto é, desperta para a persistência da vontade de amar e doar-se ao outro de forma totalmente gratuita e desinteressada.


FUNDAÇÃO EDUCAR
     “Só se constrói uma nação com cidadãos.”
     “Só se constroem cidadões com educação.”

     Desde seu início, em 1949, a Dpaschoal acredita em valores éticos e cidadãos. Em 1989, resolveu concentrar as suas atividades de filantropia em uma fundação de caráter estratégico voltada a educação, tendo como foco o desenvolvimento de conhecimentos e práticas educacionais para adolescentes e a transferencia de conteúdo para adolescentes e a transferencia de conteúdo para outras empresas e escolas.
     Criada com a missão de estimular pessoas e instituições a refletirem sobre o valor e o papel da educação como base para a cidadania plena, a Fundação EDUCAR desenvolve programas que destacam os exemplos de sucesso em projetos de incentivo a leitura, ética, cidadania, reconstrução social, medidas socioeducativas, voluntariado e protagonismo juvenil.
     A EDUCAR acredita que somente será possível um novo Brasil se todos os cidadãos forem membros economicamente ativos e conscientes de seus direitos e deveres. Isso só será possível através da educação.

INSTITUTO FAÇA PARTE BRASIL VOLUNTÁRIO

     O Ano Internacional do Voluntário, 2001, foi uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de promover a cultura do voluntariado, desencadeando ações e reflexões sobre o tema em todo o mundo.
     Para tanto, foi criado no Brasil o Comitê do Ano Internacional do Voluntário, que incentivou projetos de voluntariado em todas as esferas sociais. Com uma atuação forte e continuada, o comitê cresceu, ganhou espaço, foi destacado pela mídia e contribuiu para que cerca de 30 milhões de pessoas fossem mobilizadas em prol de ações voluntárias.
Para dar continuidade a todo esse trabalho, foi criado o Instituto Faça Parte – Brasil Voluntário.      Em 2002, o principal foco de suas ações é o programa Jovem Voluntário, Escola Solidária, que busca estimular o jovem a realizar trabalhos sociais dentro e fora de suas escolas.
     O Instituto Faça Parte tem um sonho: tornar o Brasil mais justo socialmente, de modo que cada brasileiro se sinta parte ativa da construção do país. Sua missão é fortalecer a cultura do voluntariado no Brasil, promovendo, desta forma, a inclusão social.


" Deve-se educar para a tomada de decisões, para a responsabilidade política e social"aculdades.
Paulo Freire



 
 
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