VOLUNTARIADO
EDUCATIVO
COLEÇÃO
JOVEM VOLUNTÁRIO, ESCOLA SOLIDÁRIA
Adair Aparecida Sberga
Jovem Voluntário, Escola Solidária
Caros educadores e educadoras
Existem hoje milhares de voluntários
anônimos que doam parte de seu tempo às mais
variadas causas e iniciativas. São jovens, universitários,
professores, empresários e pessoas de terceira idade
que de alguma forma estão engajados num processo de
transformação social para construir um país
melhor.
O Instituto Faça Parte
– Brasil Voluntario valoriza todas essas ações.
Neste livro, entretanto, queremos destacar o voluntariado
jovem, não só como uma forma de melhorar realidades,
mas especialmente como um processo de formação
educativa. O jovem pró-ativo envolvido em ações
voluntárias contribui com a sua comunidade, mas, mais
do que isso torna-se um cidadão mais consciente e competente
em relação à sua vida profissional e
social.
Gostaria de agradecer à professora
Adair Ap. Sberga, que há muito tempo acredita nesta
causa, e agora, junto com o Instituto Faça Parte, está
nos ajudando a disseminar a importância do voluntariado
educativo.
Milú Villela
Presidente do Instituto Faça Parte
“A educação tem de servir a um projeto
da sociedade como um todo.”
Bernardo Toro
Sobre o Autor
Adair A. Sberga, natural de
Araras (SP), é religiosa da Congregação
das Irmãs Salesianas. Formada em Filosofia, História
e mestre em Educação pela Universidade Pontifica
Salesiana, de Roma. Desde a juventude dedicou-se ao trabalho
com crianças, adolescentes e jovens de bairros populares,
favelas, conjuntos de mutirões de construção
de casas populares e em organizações com populações
de cortiços.Atuou como professora de ensino fundamental
e médio, lecionando Filosofia, História e Ensino
Religioso. Participou do Congresso Internacional do Voluntariado
(Vides) na Itália, em 2000. Atualmente é vice-diretora
e orientadora da Articulação da Juventude Jovem
– construção da identidade e educação
sociopolítica (São Paulo: Salesiana, 2001).
APRESENTAÇÃO
Determinação,
persistência, paixão e entusiasmo são
marcas da juventude. Se incentivarmos os jovens a colocar
sua força a serviço de causas Sociais, eles
poderão não só aprender a ser mais competentes
e seguros, como também ajudar a construir um mundo
mais solidário, humano e fraterno. Ao receber o estímulo
adequado, podem usar suas competências colaborando para
melhorar a sociedade.
A professora Adair tem contribuído
muito, ajudando-nos a refletir sobre o papel da escola e do
professor em relação ao voluntariado e sobre
a importância da formação educativa do
jovem através de projetos sociais. Essas questões
são chaves se temos o desejo de viver num Brasil melhor.
Fundação EDUCAR DPaschoal
INTRODUÇÃO
Considerando a realidade sociocultural
e os muitos desafios e situações conflitivas
em que o jovem vive, o voluntariado se apresenta como um espaço
alternativo não só de inserção
social e compromisso de cidadania responsável, mas
também como uma proposta que ajuda o jovem a conhecer
a si mesmo e a descobrir suas potencialidades.
Dessa forma, o voluntariado é uma alternativa para
todo jovem que sonha comum mundo diferente, mais justo e igualitário,
que se preocupa com a gravidade dos problemas sociais e que
gosta de mobilizar forças amigas para idealizar projetos
em vista do bem social.
Quem nunca realizou um trabalho solidário talvez não
saiba a felicidade que esse gesto provoca nos voluntários
e nas pessoas beneficiadas, e a riqueza humanitária
que ele promove no ambiente social.
No Brasil, desde 1997 o voluntariado
vem se articulando em nível nacional e conquistando
um grande público: foram implantados muitos Centros
de Voluntariado, em vários estados do país;
foi instituída a Lei 9.608, que rege o serviço
voluntário; foi estabelecido o 5 de dezembro como o
dia nacional do voluntário; em 2001, o I Congresso
Brasileiro do Voluntariado abriu um debate teórico
e metodológico sobre a necessidade de se consolidar
o voluntariado em nossa realidade; e surgiram vários
publicações relacionadas a esse assunto, dirigidas
a diferentes segmentos da sociedades.
Essas iniciativas e outras propostas
de ação solidária promovidas pelo voluntariado
tem contribuído para o aprimoramento das reflexões
sobre o papel do cidadão no atual contexto social e
facilitando a conscientização sobre o novo conceito
de cidadania, caracterizando-a como cidadania ativa. Nesse
sentido, o voluntariado é concebido como um ato cívico
e uma forma de preservar a democracia. Sua implantação
uma sociedade tem a função não só
de colaborar nos serviços humanitários e educacionais,
mas de ajudar na transformação das políticas
públicas sociais.
Com este livro pretendemos incrementar
o tema da pedagogia social e reforçar essa proposta
que muitas escolas já realizaram, contando com a colaboração
de educadores que se preocupam com a formação
do aluno e com a melhoria da qualidade de vida da população.
O desafio consiste em formar não apenas pessoas críticas,
mas cidadões conscientes e dispostos a arregaçar
as próprias mangas, pois sabem que o gesto voluntário
e as idéias solidárias podem ajudar a melhorar
significativamente a vida de milhares
de seres humanos.
Portanto, contamos com os educadores
que vestem a camisa do voluntariado e participam da experiência
de incentivar e formar outros voluntários adolescentes
e jovens. Com certeza estarão fazendo a sua parte e
colaborando para que se difunda a Cultura do Voluntariado
em todas as regiões do nosso país.
VOLUNTARIADO JOVEM
É importante afirmar
que o voluntariado jovem “não é um apêndice
do voluntariado adulto, mas um modo original de empenho da
juventude”.
Apesar de muitas pessoas considerarem
o voluntariado como uma atividade mais voltada para os adultos
– pois esses são mais bem preparados para oferecer
um serviço que requer competências profissionais,
mais resistentes ao sofrimento e mais capazes de fazer escolhas
maduras - , é possível comprovar quanto os jovens
são receptivos e entusiasmados para provar quanto os
jovens são receptivos e entusiasmados para realizar
ações de compromisso solidário. Mas
para que o voluntariado jovem possa dar frutos duradouros,
é preciso que eles sejam preparados para essa função
social. Pensando nessa questão, G. Milanesi e G. Nicoló,
dois sociólogos italianos, recomendaram que o voluntariado
realizado por jovens tivessem um caráter diferente
daquele realizado por adultos. Criaram, assim, a proposta
do voluntariado educativo, ou seja, uma ação
solidária preocupada com a formação do
jovem voluntário.
Segundo essas características,
o voluntariado jovem é uma experiência com fisionomia
própria, com conteúdos e métodos alternativos
elaborados segundos as necessidades de formação
do jovem.
É importante recordar
que o jovem vive um momento precioso de formação
e estudo. É o tempo de construir a própria identidade,
de crescer humana e espiritualmente, de encontrar o sentido
da própria vida e o valor das próprias atitudes
e comportamentos. Portanto, o voluntariado não é
uma forma de preencher o tempo livre, mas uma proposta formativa
que consegue perceber e privilegiar os recursos e as energias
dos jovens – que precisam ser orientadas e, uma vez
despertadas, se tornam um rio de possibilidades, um modelo
de atuação que contagia, envolve e cativa à
energia de outros jovens.
O educador pode auxiliá-los
a compreender que ser voluntários não é
bicho-de-sete-cabeças, e que eles podem fazer isso
com facilidade. Deve-se ter boa vontade, procurar uma organização
ou formar um grupo de amigos, e começar a discutir
sobre as necessidades prementes da cidade, do bairro, da rua
ou da escola. Observando e analisando a realidade em que vivem,
usando a criatividade e o bom senso, os jovens vão
perceber os desafios mais urgentes, vão conversar,
procurar ajuda e descobrir como cada um pode dar a sua parcela
de contribuição. Não importa se a ação
vai ser pequena: aos poucos as sementes lançadas vão
contribuir para fazer frutificar em nosso país a cultura
do voluntariado .
Centralidade no educativo
Como já dissemos, o voluntariado
jovem é centralizado no aspecto educativo, seja como
conteúdo, seja como método. Para isso, é
necessário se perguntar: o que significa educar, e
como educar hoje, no contexto da sociedade pós-moderna?
Educação é
um termo ‘antigo’ e sempre novo, que provém
da palavra latina ‘educere’(tirar para fora, desenvolver).
Hoje se redescobriu a importância dos recursos individuais
e de cada cultura, e que a promoção desses recursos
por meio da educação – ou seja, o desenvolvimento
do ser humano – é que gera o progresso da humanidade.
A educação, portanto, busca condições
e meios mais idôneos para desenvolver e orientar as
potencialidades individuais.
É dentro dessa dinâmica
que se entende que o voluntariado educativo é uma proposta
de formação que propicia o amadurecimento dos
jovens através de experiências de solidariedade
e compromisso. Em primeiro lugar, no conforto com a comunidade
e com outros companheiros, que vivem experiências significativas
de engajamento solidário, eles são motivados
a buscar dentro de si mesmo suas melhores possibilidades.
Em segundo lugar, no voluntariado
jovem existe uma interação entre em educação
e prevenção. Procura-se prevenir os educandos
do perigo, do sofrimento, da malandragem. Não basta
evitar que o mal (moral, físico, cultural, psíquico)
lhes ocorra. É preciso também pô-los diante
do perigo, de modo racional, porque assim eles podem crescer.
Então, prevenir não é somente evitar
o mal, mas antecipar o bem, a maturidade, colocando in moto
as potencialidades na realização da proposta
e acompanhando de modo inteligente a realidade pessoal e a
atuação social dos educandos. Quando se descobre
a relaçao entre a educação e a prevenção,
o voluntariado é enriquecido e os jovens são
estimulados não só a ser cidadões, mas
a qualificar as propostas de valores humanos e éticos.
Em terceiro lugar, o voluntariado
educativo se preocupa em elaborar conteúdos alternativos-
com a responsabilidade, a solidariedade, a participação
com metodologias avançadas, isto é, com experiências
que se transformam em exercício de democracia, de cidadania
ativa.
Legitimado pela educação, o voluntariado jovem
estimula o crescimento pessoal, a capacidade de autocrítica
e o dinamismo para interferir na qualidade da vida social.
Construção da identidade
e educação sociopolítica
O jovem que está passando
por uma fase particular de desenvolvimento biopsicossocial
necessita de uma proposta que propicie tanto o amadurecimento
da sua personalidade quanto a sua inserção social.
O voluntariado, realizado por
meio de um engajamento numa associação e na
prestação de um serviço gratuito e solidário,
pode suprir essa necessidade, constituindo um agente eficaz
na construção na identidade do jovem. E uma
vez que este adquire certa participação social
e descobre o valor e a utilidade das suas ações
em prol da felicidade de outras pessoas, também constrói
novas motivações e sentidos para a própria
existência.
São muitos os depoimentos
de voluntários que falam da própria experiência,
por meio da qual aprenderam tantas coisas, cresceram humana
e socialmente e amadureceram mais do que em outros períodos
longos da vida. Embora tenham iniciado a ação
solidária pensando somente em dar e servir, logo se
deram conta de que enriqueciam, recebendo mais do que davam.
Na verdade, para muitos essa experiência se torna uma
escola de vida.
Por isso, o voluntariado educativo
é uma ação social altamente recomendável
a todos, e de grande validade na fase juvenil. Com sua proposta
, ele:
• propicia a descoberta
de si mesmo, de suas riquezas humanas e de sua potencialidades;
• desperta para o espírito
de lideranças e trabalho em grupo;
• contribui para o aumento
da autonomia, orientada para a responsabilidade pessoal e
social;
• favorece o amadurecimento
afetivo por meio do exercício do aperfeiçoamento
na capacidade de amar e na disponibilidade de doar-se;
• orienta para o futuro,
propiciando o desenvolvimento da capacidade positiva de projeção,
que funciona como eixo estruturado da personalidade e como
motivação para a elaboração de
projetos, a reconsideração das próprias
escolhas, o empenho no bem do próximo, a reflexão
sobre o sentido da vida, etc.
O voluntariado efetuado gratuita
e solidariamente leva, naturalmente, o jovem a dar um novo
e profundo significado á própria vida e a dos
demais, acelerando o processo da construção
da sua identidade e fazendo-o compreender que, ajudando aos
outros, ajudam a si mesmo.
Outro aspecto é o voluntariado como escola de educação
sociopolítica. Nessa área pode-se destacar:
• a educação
para a responsabilidade como exigência moral, destinada
a despertar a consciência do educando de modo a sensibilizá-lo
em relaçao ao próprio destino do outro a ele
confirmado;
• a educação
para a cultura da solidariedade como compromisso ético
para com a equidade social;
• a educação
para as cidadanias ativas, que constitui a cultura da convivência
social, a gratuidade nas diversas formas de participação,
e motiva a qualidade social;
• a educação
para o empenho político, que significa colocar-se a
serviço do outro, solidarizar-se com ele e comprometer-se
na defesa e promoção dos direitos humanos.
Acredita-se, assim, que a partir
da interação entre a construção
da identidade e a educação sociopolítica,
o jovem incorpore em si a identidade do voluntário,
empenhando-se por uma nova qualidade de vida tanto pessoal
quanto social.
Característica
da identidade do jovem voluntário
O jovem voluntário é
impulsionado por um grande amor as causas humanitárias,
e por isso luta contra toda forma de pobreza e exclusão,
defende a dignidade e os direitos humanos e exercita a cidadania,
buscando soluções concretas para os problemas.
Alguns elementos o caracterizam:
• a gratuidade e a espontaneidade
do empenho, realizado sem fins lucrativos ou partidários;
• a participação
no serviço oferecido à comunidade, com a intenção
de criar um ambiente mais humano e feliz;
• a continuidade do serviço,
compreendendo que esse é o aspecto que distingue o
voluntariado das “boas ações”;
• o compromisso social
e político, fundamentado na concepção
de que a verdadeira mudança da sociedade não
virá em proporção ao número de
serviços prestados, mas na medida em que a população
se torna participante das decisões e das ações
que se referem a ela mesma.
Portanto, o voluntariado vivido
na gratuidade e na solidariedade leva os jovens a compreenderem
que ‘a porta da felicidade se abre ao lado de fora;
quem força para abri-la em sentido contrário
acaba fechando-a cada vez mais’’, como dizia Kierkegaard.
Assim, ser voluntário é assumir uma nova postura
de vida, um novo modo de ser e de viver. Ser voluntário
não é somente realizar um determinado serviço,
mas aprender, através do exercício do amor humano,
uma forma mais consciente de viver a própria vida em
sociedade.
Como evitar riscos de instrumentalização
O voluntariado não pode
prejudicar o tempo de estudo ou de trabalho do jovem. Tudo
tem estar bem casado, para que todas as partes saiam ganhando
e as atividades sejam exercidas com muita responsabilidade
e dedicação.
É importante não
confundir a ação solidária com o trabalho
‘trabalho escravo “não retribuído
ou a mão-de-obra barata que serve de base de sustentação
a determinada economia. Na instituição, por
exemplo, o voluntário é convidado a doar algumas
horas por semana, e não oito horas todos os dias, como
faria um funcionário. Voluntário é aquele
que exerce uma atividade por algumas horas, a título
de colaboração, dando um pouco do seu entusiasmo
e alegria para quem está precisando. Não é
um empregado, e por isso nunca deve ser remunerado pelo que
faz. Na própria instituição, ele é
convidado a preencher um termo de adesão ao voluntariado,
comprometendo-se a exerce o trabalho por algumas horas semanais.
Além disso, o voluntariado
não é cabide de emprego. Não se pode
exercer uma atividade voluntária numa instituição
com a idéia de futuramente vir a se tornar funcionário
dela. Isso não se coaduna com a ação
solidária, em que os interesses pessoais devem ser
evitados.
E ainda, a imprevisão
deve ser superada, pois só é considerado trabalho
voluntário aquele que perdura no tempo, aquele que
é exercido com comprometimento e responsabilidade.
Quando alguém assume a responsabilidade de ajudar no
reforço escolar das crianças todas as quarta-feiras
a tarde, não pode falar ao compromisso assumido, e
deve estar sempre motivado, mesmo que a prática constante
se mostre difícil.
Por outro lado, o jovem é
o sujeito mais exposto ao risco do estresse emotivo, e o educador
deve orientá-lo para que ele escolha um trabalho de
que goste, que sinta prazer em realizar. Determinadas atividades
podem interferir na estrutura emocional do jovem – como,
por exemplo, o trabalho com doentes terminais, doentes mentais
e outras atividades especiais.
O PAPEL DO EDUCADOR
Um dos aspectos primordiais
do voluntariado jovem é a presença do educador,
o qual, por características pessoais, competências
profissionais e vocação, assume um papel insubstituível
no acompanhamento formativo do jovem voluntário.
O educador pode ser um adulto,
uma pessoa que já passou pela etapa da juventude e
viveu um processo de amadurecimento no qual definiu seu projeto
de vida e atingiu uma estabilidade afetiva que o habitou a
optar livremente e a assumir com responsabilidade os desafios
próprios de sua escolha. Assim, ele pode orientar o
caminho dos jovens a partir de princípios educacionais,
e oferecer-lhes, ao mesmo tempo, a possibilidade de terem
um modelo de referencia que os auxilie a discernir seus próprios
projetos.
Esse educador é capaz
de analisar o contexto social, é responsável
e não foge aos seus compromissos. Conhece e assume
as dores e esperanças do seu povo. Não é
passivo diante dos desafios e problemas da realidade; toma
posição, denuncia o que precisa ser mudado e
propõe soluções inovadoras para melhorar
a qualidade de vida da comunidade.
Outra característica
da sua identidade é a sua capacidade de acolher os
jovens e de fazer aliança com eles. Como amigo maduro,
caminha com eles, escuta seus clamores, ajuda-os a formular
seus problemas e objetivar seus interesses, dá-lhe
esperança, valoriza seus aspectos positivos e amor,
evitando todo paternalismo ou possessividade, e promove o
seu crescimento e amadurecimento. Não se preocupa tanto
em fazer coisas, mas em ser uma presença amiga e fraterna,
e em entusiasmar outros com a sua vida de doação
e alegria.
Além disso, o adulto-educador
que atua no voluntariado jovem desempenha sua missão
como mediador entre a teoria e a práxis. Privilegia
o caminho formativo que se desenvolve a partir da prática
de solidariedade com os mais necessitados. Fazendo-se presente
durante as atividades concretas do voluntariado, está
atento para despertar a liderança e aprimorar a vivencia
comunitária e o trabalho em grupo. Orienta com a sua
competência e experiência para uma contínua
revisão das atividades e para a auto-avaliaçao,
que, confrontada em grupo, contribui para o crescimento de
todos.
O educador ajuda o jovem a clarear
e definir seu projeto de vida e a fazer as opções
que configurarão seu modo de ser e agir na sociedade.
Trata-se de um acompanhamento processual e gradual, que atende
a todos os aspectos da vida, levando em consideração
sobretudo a dimensão afetiva do jovem, sua escolha
profissional e sua opção vocacional, seu compromisso
e sua participação ativa, consciente e responsável
no grupo de voluntários. O educador está junto
à dele, estimulando a dar sempre o melhor de si, a
explorar seus recursos humanos e a buscar a sua auto-realização.
Outra tarefa essencial do educador
é o acompanhamento do processo e da realização
das atividades. Promovendo a liderança, o educador
descobre e estimula as aptidões dos jovens, delegando
funções para propiciar o desenvolvimento de
suas capacidades. Educa para a organização,
respeitando o que os jovens propõem e disponibilizando-se
para despertar sua criatividade. Ajuda a clarear funções,
impulsiona a execução co-responsável
dos planos e dos programas previstos, favorece a sistematização
das experiências realizadas. Estimula tudo o que promove
e fortalece a vida do grupo e a identidade do voluntariado;
ao mesmo tempo, ajuda os jovens a fazerem uma leitura crítica
da realidade sociopolítica. Desperta a sensibilidade
e o compromisso para com os outros. Fornece elementos de formação
e discernimento para que os jovens possam aperfeiçoar
suas motivações. Com mentalidade aberta e pluralista,
favorece o intercambio com outros grupos de voluntários
ou associações.
Para a realização
desse papel-tarefa, o educador preocupa-se com a sua formação
integral, gradual e permanente, e está atento para
aproveitar cursos, leituras, a troca de experiências
e outras atividades que possam enriquecer a sua prática.
Com sua própria vida, dá testemunho de compromisso
e opções concretas de transformação
da sociedade em coerência com a cultura da solidariedade.
A FORÇA EDUCATIVA DO GRUPO
O grupo tem duas funções
gerais principais: a colaboração no desenvolvimento
da personalidade do indivíduo e sua integração
no organismo social em que vive. Mas, pelo grande valor de
um grupo na vida da pessoa e para a sociedade humana, ele
não pode ser considerado apenas uma realidade a ser
observada e estudada pela psicologia ou pela sociologia. Sua
força educativa sobre o indivíduo o torna um
verdadeiro laboratório de vida, em todas as suas dimensões.
A experiência de grupo
se torna importante quando a pessoa se sente acolhida e valorizada
por aquilo que é. Geralmente as pessoas se agrupam
e se reúnem porque desejam sentir-se incluídas,
integradas, fortalecidas e reconhecidas. Cada pessoa experimenta
cotidianamente a importância de pertencer a um grupo
e nele buscar respostas e segurança, de ser ajudada
a conhecer-se e expressar-se melhor, a encontrar pistas e
soluções diante das dificuldades da vida, a
aprender a interagir com os outro.
Além disso, constata-se
que a força interna própria de um grupo advém
do fato de a riqueza da vida de cada membro ser partilhada;
do valor da amizade e do desejo de se encontrar, da vontade
de mudar as coisas, do sentimento de acolhida, da alegria
e do otimismo irradiante que contagia os jovens e os entusiasma,
no desejo de serem cada vez mais autênticos. Quanto
mais essa energia for considerada e orientada de forma educativa,
mais se atinge o objetivo de formação integral
do jovem, vem capacitando-o a assumir com responsabilidade
e criatividade aquilo que lhe é confiado.
Outro aspecto a ser considerado
é que o amadurecimento global das pessoas acontece
durante toda a vida e de modos diferentes. Por isso, a participação
num grupo que tem princípios bem integrados colabora
para esse crescimento e para o aperfeiçoamento da natureza
humana. Isso se justifica porque
o grupo é o contexto no qual o indivíduo pode
amadurecer a própria identidade, autonomia, liberdade
e capacidade de estabelecer relações. No seu
interior, o jovem pode mais um vez definir para si um novo
quadro de valores e de sentido. Sozinho seria muito difícil,
ou quem sabe impossível. O grupo, então, é
o âmbito educativo altamente estimulante e privilegiado,
porque desenvolve a meditação entre o indivíduo
e a sociedade – meditação essa que dá
ao jovem a possibilidade de inserir-se de modo natural e progressivo
num sistema cultural mais amplo.
No entanto, não basta
a simples junção de pessoas para se dizer que
um grupo é educativo. Ao contrário, ele se torna
educativo quanto é orientado num processo sistemático
e orgânico que saiba aprofundar e integrar as situações,
as aspirações, as solicitações
e favorecer o desenvolvimento global do jovem. Então,
na vida de grupo, deve-se dar absoluta prioridade ao sistema
de comunicação – que é o que cria
o grupo, que mantém vivo e educativo, que desperta
o respeito à individualidade e desenvolve a solidariedade.
Nesse sentido, uma força que motiva fortemente a comunicação
interna é e amizade – que ajuda a fomentar as
relações interpessoais, favorecendo a participação
constante.
Do mesmo modo que a dinâmica
da amizade é um elemento fundamental da comunicação
interna, a coesão também é outro elemento
indispensável no grupo, pois está na base do
processo formativo e é fruto do sistema de comunicação.
O grupo coeso tem uma certa homogeneidade quanto à
idade, interesses, valores e objetivos; tem necessidade de
regras de conduta que sejam simples, claras e partilhadas;
tem funções distribuídas entre seus membros
e que são reconhecidas entre eles e pelas pessoas e
sistemas sociais externos ao grupo.
Resumindo, pode-se dizer que
o grupo é um instrumento pedagógico muito eficaz
na educação e formação dos seus
integrantes. Os efeitos de um grupo na vida das pessoas podem
ser descritos em linhas gerais como a capacidade de atingir
e modificar motivações internas, pensamentos,
sentimentos, comportamentos e a percepção da
realidade, além de proporcionar referenciais e modelos
que orientam na dinâmica da vida.
PROMOVER A CULTURA DA SOLIDARIEDADE
Segundo alguns dados sociológicos,
solidariedade era um termo mais utilizado na cultura marxista.
Em alguns países, ao longo de muitos anos, utilizou-se
o termo caridade. Atualmente esse conceito adquiriu uma conotação
mais politizada e deixou de ser somente um sentimento de compaixão
ou de comoção diante do sofrimento. Assim, a
solidariedade passou a ser uma determinação
firme e perseverante no empenho pelo bem comum, pela melhora
da qualidade de vida de todos, porque somos responsáveis
pela vida uns dos outros.
Nesse sentido, voluntários
de diversos países perceberam a necessidade de superar
a fase assistencialista, que se resumia a fazer obras de caridade
e beneficência, e assumir o trabalho voluntário
como co-responsabilidade e como reivindicação
de um Estado social que seja eficiente nos serviços
para com todos os cidadãos.
A partir disso, foi-se fortificando
a compreensão de que o principal objetivo do voluntariado
é promover e consolidar a cultura da solidariedade.
Não é mais suficiente, diante dos grandes desafios
atuais, aliviar as injustiças através das obras
de caridade. É necessário um compromisso permanente
para identificar as às causas que produzem os problemas
sociais e, a partir daí, lutar no plano cultural e
político para removê-las. De acordo com a nova
postura do voluntariado, a cultura da solidariedade constitui
a síntese ética entre o amor e a justiça,
juntamente com novos mecanismo de ação.
Solidariedade Limitada: alivia
a injustiça através de atos de caridade.
Cultura da solidariedade: empenha-se em identificar as raízes,
as causas, às estruturas, às agencias, as pessoas
que geram as injustiças e procura remove-las.
ONDE E COMO SER VOLUNTÁRIO?
Isso o jovem vai ter que descobrir.
A preferencia é que seja num lugar mais próximo
da sua casa.
São muitos os Centros
de Voluntariado, ONGs, instituições, fundações,
escolas, centros comunitários, hospitais, creches que
estao de braços abertos para acolher voluntários.
O jovem precisa ser incentivado para começar a sua
pesquisa, quem sabe através dos sites:
www.facaparte.org.br
www.educardpaschoal.org.br
www.programavoluntarios.org.br
www.portaldovoluntario.org.br
www.protagonismojuvenil.org.br
www.voluntarios.org.br
www.abong.org.br
O jovem que deseja dedicar-se
ao voluntariado não adquiriu ainda uma competência
profissional, mas pode contribuir muito com essa causa. O
mais significativo e o melhor que ele pode doar é sua
riqueza humana, seu entusiasmo pela vida, seu tempo, sua vontade
de capacitar-se, sua disponibilidade e atenção
para o outro. Integrando a essas qualidades humanas uma certa
qualificação específica em relaçao
aos serviço que deve desempenhar, o jovem se sentirá
mais enriquecido e motivado a empenhar seu compromisso de
solidariedade.
EXEMPLOS DE VOLUNTARIADO QUE PODEM
SER REALIZADOS NAS ESCOLAS
O voluntariado pode ser promovido
dentro das escolas, dedicando-se a atender ás necessidades
mais prementes da comunidade. Dentre as muitas possibilidades,
alguns exemplos:
• pesquisa no bairro ou
na cidade para averiguar o número de crianças
que não estao estudando e fazer campanhas de matrículas;
• monitoria nas diversas
disciplinas para ajudar os colegas;
• reforço escolar;
• escolinha de instrumentos
musicais, canto, danças;
• organização
de grupos que lutem pela melhora na qualidade de ensino;
• preservação
do meio ambiente: reciclagem do lixo, cuidado das plantas,
horta comunitária;
• rádio escolar;
• organização
de bibliotecas e murais escolares;
• formação
de grupos para discussão da cidadania;
• divulgação
de ONG que atuam na cidade;
• atividades em creches
ou instituições que acolhem crianças
carentes;
• leitura para cegos –
Doador da voz;
• contadores de histórias;
• visitas aos idosos,
em asilos;
• atividades circenses
para diverti crianças;
• monitoramento em museus
e conservação dos bens culturais;
• palhaços que
atuem nos setores infantis dos hospitais.
Além disso, é
possível organizar, durante as férias, os Campos
de formação ao voluntariado, onde grupos de
voluntários se reúnem, partindo para lugares
pobres que precisem de ajuda e formação. Durante
dez ou quinze dias organizam-se atividades com as crianças,
os jovens e a comunidade. Ao mesmo tempo, durante um período
dia, esses voluntários se reúnem para estudar,
capacitar-se e refletir sobre as atividades que estão
desenvolvendo. O importante é que essa ação
sensibilize toda a comunidade e mexa com as autoridades locais,
a fim de motivá-las a promover a dignidade e o direito
social dessa gente.
Com essas atitudes, o grupo
de voluntários estará contribuindo para que
se consolide a cultura da solidariedade e para que a sociedade
se transforme, na medida de seus sonhos!
CONCLUSÃO
O voluntariado educativo, por
meio da sua dinâmica baseada na ação e
na reflexão, colabora eficazmente para a formação
integral do jovem, fazendo-o compreender que, ao ajudar os
outros, ajuda a si mesmo.
Quando o jovem incorpora em
si a identidade do cidadão voluntário, empenhando-se
em trabalhar por uma qualidade de vida melhor tanto para si
como para a sociedade e no aprimoramento de um sistema de
políticas públicas sociais mais humano e justo,
ele passa a entender que ‘ a vida não é
qualquer coisa, mais uma oportunidade para realizar alguma
coisa “; descobre o valor moral de se dedicar ao bem
comum e se compromete com a construção da cidadania
responsável e da cultura da solidariedade.
O voluntariado é uma
escola de vida, e traz muita retribuição para
todos os envolvidos. Faz desabrochar no jovem uma vontade
interior que o leva a empenhar-se de modo solidário
em prol da sociedade e motiva suas ações por
toda a vida. Sua função mais importante é
fazer com que a experiência de servir não se
restrinja a um momento particular de entusiasmo e de generosidade
próprios da juventude, mas seja o fundamento de uma
atitude madura e definitiva que qualifica o cidadão
ativo e responsável. Além desses benefícios
de crescimento pessoal, o voluntário compreende que
seu gesto se reveste de dignidade e amor, somando-se a outros
gestos altruísta que contribuem para a transformação
social.
Nesse processo, os educadores
orientam e acompanham os jovens não apenas no que se
refere ao desempenho se serviços qualificados de cidadania,
mas acima de tudo ajudando-os a construir personalidades fortes,
comprometidas com as causas do bem comum.
Em suma, o voluntariado jovem
não é alienante, não é assistencialista,
não é esporádico, não é
uma forma de preencher o tempo livre, mas encontra legitimidade
na educação, no compromisso político,
na continuidade da ação por meio do engajamento
numa organização ou grupo de voluntariado, na
capacidade de autocrítica e numa maneira mais consciente
de viver a própria vida. Por essas características,
é um instrumento que facilita o crescimento da dimensão
mais nobre que há no ser humano – isto é,
desperta para a persistência da vontade de amar e doar-se
ao outro de forma totalmente gratuita e desinteressada.
FUNDAÇÃO EDUCAR
“Só se constrói
uma nação com cidadãos.”
“Só se constroem
cidadões com educação.”
Desde seu início, em
1949, a Dpaschoal acredita em valores éticos e cidadãos.
Em 1989, resolveu concentrar as suas atividades de filantropia
em uma fundação de caráter estratégico
voltada a educação, tendo como foco o desenvolvimento
de conhecimentos e práticas educacionais para adolescentes
e a transferencia de conteúdo para adolescentes e a
transferencia de conteúdo para outras empresas e escolas.
Criada com a missão de
estimular pessoas e instituições a refletirem
sobre o valor e o papel da educação como base
para a cidadania plena, a Fundação EDUCAR desenvolve
programas que destacam os exemplos de sucesso em projetos
de incentivo a leitura, ética, cidadania, reconstrução
social, medidas socioeducativas, voluntariado e protagonismo
juvenil.
A EDUCAR acredita que somente
será possível um novo Brasil se todos os cidadãos
forem membros economicamente ativos e conscientes de seus
direitos e deveres. Isso só será possível
através da educação.
INSTITUTO FAÇA PARTE BRASIL VOLUNTÁRIO
O Ano Internacional do Voluntário,
2001, foi uma iniciativa da Organização das
Nações Unidas (ONU) com o objetivo de promover
a cultura do voluntariado, desencadeando ações
e reflexões sobre o tema em todo o mundo.
Para tanto, foi criado no Brasil
o Comitê do Ano Internacional do Voluntário,
que incentivou projetos de voluntariado em todas as esferas
sociais. Com uma atuação forte e continuada,
o comitê cresceu, ganhou espaço, foi destacado
pela mídia e contribuiu para que cerca de 30 milhões
de pessoas fossem mobilizadas em prol de ações
voluntárias.
Para dar continuidade a todo esse trabalho, foi criado o Instituto
Faça Parte – Brasil Voluntário. Em
2002, o principal foco de suas ações é
o programa Jovem Voluntário, Escola Solidária,
que busca estimular o jovem a realizar trabalhos sociais dentro
e fora de suas escolas.
O Instituto Faça Parte
tem um sonho: tornar o Brasil mais justo socialmente, de modo
que cada brasileiro se sinta parte ativa da construção
do país. Sua missão é fortalecer a cultura
do voluntariado no Brasil, promovendo, desta forma, a inclusão
social.
" Deve-se educar para a tomada de decisões, para
a responsabilidade política e social"aculdades.
Paulo Freire
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